18 de julho de 2026 · Por Thiago Pires
Por que você sente ansiedade, e por que ela não é o inimigo
Talvez você reconheça a cena. O corpo aparentemente parado, mas por dentro tudo correndo: coração acelerado, respiração curta, aquela tensão que não pede licença. E o pensamento que vem junto: "não tem motivo, é só ansiedade".
Eu queria te convidar a tirar o "só" dessa frase.
A gente aprendeu a tratar a ansiedade como um defeito a ser silenciado. Mas a tradição fenomenológica e existencial a enxerga de outro jeito: como um sinal. A angústia, dizia Kierkegaard, é a vertigem da liberdade, aquele frio na barriga de quem percebe que tem possibilidades diante de si e que elas dependem de suas escolhas.
A ansiedade quase sempre aparece onde algo importa e o futuro está aberto. Uma decisão adiada, uma conversa não tida, uma vida que poderia ser diferente. O corpo antecipa esse futuro e dispara, porque para ele a possibilidade já é real. É como excitação sem fôlego: a sua própria energia vital, presa, sem para onde ir.
Por isso silenciar a ansiedade à força raramente basta. No meu trabalho, a pergunta muda. Não é só "como faço isso parar?", mas "o que isso está tentando me mostrar?". Quando há sofrimento intenso, o cuidado é sério e às vezes envolve outras frentes. Mas mesmo aí, escutar muda quem você é diante do que sente.
Se a ansiedade tem ocupado muito espaço na sua vida, podemos conversar sobre o que ela está tentando dizer.
Thiago Pires de Azevedo é psicólogo clínico (CRP 05/83313) e atende online com abordagem fenomenológico-existencial. Psicologia, mas não psicologiza.
Este texto tem caráter informativo e reflexivo. Não substitui acompanhamento psicológico ou médico individualizado. Se você está enfrentando sofrimento intenso, procure um profissional de saúde.